segunda-feira, 13 de julho de 2020

Você sabe quem foi Alberto Torres (1865-1917)?



Alberto Torres nasceu no município de Itaboraí/RJ, no século XIX. Filho de magistrado, antes de completar 15 anos de idade, ingressou na escola de Medicina no Rio de Janeiro, o que só se tornou possível, mediante autorização do Imperador. Mas a Medicina não o agradou, e ele migrou para o curso de Direito, naquela mesma cidade, no ano de 1882.

O rapaz convivia à época com a efervescência do abolicionismo e da propaganda republicana que agitavam o Império. Neste contexto, o então estudante, atuava como escritor, poeta e crítico. Alberto Torres, como muitos, foi um estudante mediano de Direito, teve problemas com um professor, e por isso, foi para Recife terminar o curso.

Quando retornou ao Rio de Janeiro, já como advogado, pouco atua em sua área. O jovem dedicava- se mais ao jornalismo e à política, paixões que o acompanharam por toda a vida. Empolgado com a abolição e com a República, luta pelo revigoramento do Partido Republicano ao lado de Silva Jardim, e tenta, sem sucesso, as eleições no Rio de Janeiro que tem Quintino Bocaiúva como preferência.

As cisões no Partido são inúmeras, contudo, Alberto Torres é nomeado, por Floriano Peixoto, para ocupar o posto de Alcindo Guanabara que afasta-se da Câmara Federal, tornando-se deputado federal no final dessa legislatura.

Em 1894, foi eleito para a sua segunda legislatura, mas não completa o mandato, aceitando a nomeação como Ministro da Justiça e dos Negócios Interiores feita por Prudente de Morais. Este último acaba adoecendo, e sendo substituído pelo vice, e por divergências políticas, Alberto Torres renuncia ao cargo.

Aos 30 anos de idade, Alberto Torres é eleito para a chefia do Estado do Rio de Janeiro para um mandato de 3 anos (1897-1900), e estabelece uma Constituição Estadual. Homem de convicções bem formadas, manteve-se fiel às suas ideias e à justiça, preocupava-o a justiça e a colonização, sobre a última foi um árduo defensor do trabalhador nacional, colocando-se como contrário a concessão de favores e amparo aos estrangeiros.

Alberto Torres foi autor de políticas importantes, como: o saneamento da Baixada Fluminense; e a regularização da comercialização do café (já em crise à época). Além do empenho na implementação de políticas, são relevantes as teses que escreveu sobre o trabalho brasileiro e o nacionalismo, frutos das ideias amadurecidas nos três anos frente a chefia do Estado do Rio de Janeiro.

No início do século passado, abril de 1901, Alberto Torres ocupa cargo de alto posto no Judiciário como Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele estava então com 35 anos de idade, o mínimo exigido por lei para o cargo. Em atuação no STF defendeu a ampliação do conceito de Habeas corpus e a soberania da União; foi parecerista de questões nacionais difíceis, como o banimento da Família Imperial da nação.

A dedicação as tarefas políticas, ao trabalho desempenhado na nação, minaram a saúde de Alberto Torres, que tirou licenças médicas, mas, sem sucesso acabou aposentado por projeto do Senado no ano de 1909.

Afastado dos cargos políticos, Alberto Torres passa a se dedicar exclusivamente à atividade de escritor, que já exercia desde 1907. Como jornalista escreveu artigos cuja principal questão era o Direito Internacional. Publica, em 1909, o livro Vers la Paix, e o segundo volume, Le Problème Mondial, em 1918, estabelecendo-se no jornalismo como o definem um "internacionalista erudito", preocupado com as questões da ordem mundial e da paz.

Alberto Torres esgotado física e mentalmente por seu trabalho, acometido por uma doença grave, morreu aos 52 anos em 29 de março de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1932, foi fundada a Sociedade de Amigos de Alberto Torres, e seu trabalho tem repercussões e reconhecimento póstumos, e continua sendo referência nos meios acadêmicos e intelectuais.

FONTE: TORRES, Alberto. A Organização Nacional.: Primeira parte, A Constituição. Prefácio de Francisco Iglésias.3 ed. São Paulo: Ed. Nacional, 1978.(Brasiliana, v.17). p.16-19.